quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O ELEFANTE ELIAS E O ACOMPANHANTE LEÔNCIO





Os relógios assinalam as dez da noite, toda a gente, melhor ou pior, já tinha jantado. Loiça lavada, cozinha arrumada, animais satisfeitos e guardados, galinhas fechadas e uma enorme ansiedade para ver a festa maior de todas as festas no largo de São Francisco, o padroeiro da terra.
Senhoras e senhores, ores, ores, ores, pela primeira vez nesta localidade, dade, dade, dade o Circo Internacional ParátáKi Paratátu, tatu, tatu, tatu, tem a honra de apresentar, tare, tare, tare, o seu formidável show, ou, ou, ou, ou… O apresentador, de um metro e pico, veste um fato azul-marinho, camisa branca com colarinhos quadrados e botões dourados nos punhos, tem calçados sapatos pontiagudos e pretos de verniz muito brilhante, gravata larga e branca com triângulos de contornos pretos e coloridos no interior. Tem uma voz forte e, coisa nunca vista, ele próprio fabrica o eco das coisas que diz.
Estamos numa aldeia do Minho, povoamento disperso, telhados cor de laranja. O sítio do espectáculo concentra-se no espaço onde decorre a feira semanal à Quinta-feira.
Famílias inteiras, velhos e novos, gordos e magros, gigantes e anões, canalha, canalha e mais canalha, ui tanta canalha!... acotovelados e vermelhos de alegria a devorar pipocas e laranjada cheia de gás e bolinhas constituem o público ou os senhores ouvintes, segundo o apresentador.
Entraram os equilibristas a trabalhar com cadeiras e arames, voavam lá bem em cima, levando o público a olhar para o céu do circo.
Depois vieram os palhaços Bolo e o seu acompanhante Pastel. Este vestido de cinzento, o Bolo com plumas azul claro atrás das orelhas, no nariz uma bola redonda e vermelha. Trazia luvas azuis e uma casaca amarela com bolinhas azuis e com um babete vermelho e amarelo às ondas. As calças eram muito largas e curtas, com riscas verticais vermelhas e amarelas, enquanto os sapatos pretos teriam um bom metro de comprimento. Brincaram com coelhos e guarda-chuvas, atiraram ovos um ao outro, toda a gente se riu.
Apareceu o elefante Elias e o seu acompanhante Leôncio. Mestre Elias pôs as quatro pernas em cima de um banco redondo e pequeno e depois andou à volta do mesmo banco. Desceu, sentou-se no banco e depois deitou-se, fazendo-se de morto. Levantou-se e, por fim, fez uma vénia para os presentes. Toda a gente adorou!
O espectáculo continuou.


Andreia Ribeiro

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