quinta-feira, 17 de março de 2011

Chocacau



Há muito tempo atrás, numa antiga e velha fábrica de chocolates, foi confeccionado, com os melhores e mais especiais ingredientes, um chocolate fabuloso que falava e tinha sentimentos, deram-lhe o nome de Chocacau.

Este chocolate foi feito especialmente a pensar na filha do dono da fábrica que estava doente e acamada no hospital e precisava de um amigo.

No entanto, na manhã seguinte, aconteceu algo terrível, os empregados colocaram, por engano, o Chocacau juntamente com os outros chocolates numa linda caixa de bombons. E a caixa seguiu para o supermercado onde esteve exposta como todas as outras.

O chocacau não compreendia o que se passava e porque o teriam deixado ali dentro, como estava cansado resolveu então tirar uma soneca.

O Professor Luís Velho que fazia compras nesse supermercado, não resistiu e comprou uma caixa de chocolates porque era muito guloso.

Quando chegou a casa, sentou-se no sofá e abriu a caixa de chocolates.

Grande espanto o seu quando vê o Chocacau a espreguiçar-se e a esfregar os olhos depois de uma boa sesta.

-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!- gritou o professor Luís Velho, muito assustado!

- Não me comas, por favor! Sei que estás com fome, mas existem mais chocolates na caixa. – disse o Chocacau.

- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!! Tu para além de te mexeres também falas? Devo estar a enlouquecer!

Julgando estar com alucinações, o professor Luís Velho comeu de uma só vez todos os chocolates da caixa, incluindo o nosso doce e simpático Chocacau.

Que crueldade! Como castigo, passou uma semana com uma terrível dor de barriga.

Manuel Casimiro

domingo, 13 de março de 2011

O SAPO FELIZ


Era uma vez um sapo. Gordo e enorme. Diferente!

Quando apareceu na cidade, as pessoas, embasbacadas, não resistiam à tentação de olhar para ele uma, outra e outra vez ainda. Desproporcionado e repugnante, ele era, no entanto, tão alegre e transbordava uma tal confiança que se tornava deslumbrante.

Um dia, sem explicação para o sorriso tranquilo com que o sapo gordo e diferente cumprimentava as pessoas que se cruzavam com ele na rua, um menino interpelou-o:

— Olhe lá, sr. Sapo, como é que consegue ser tão simpático e feliz com esse corpo tão feio e disforme?

— Eu sou diferente porque gosto muito de aparas de lápis que, como se sabe, contêm todas as vitaminas das palavras. Quando eu como aparas de lápis aprendo tanto, tanto, tanto, que a minha memória incha, incha, incha como um balão de brincar; quanto mais aprendo, mais feliz me sinto e quanto mais feliz, mais gosto de aprender e mais aparas de lápis devoro. Um destes dias vou mesmo rebentar, não por saber muito, mas de felicidade por nunca ter desistido de aprender.

Mas não estoirou: o sapo diferente agora rebola. De felicidade!

E tem amigos por toda a cidade. Devoradores, como ele, de aparas de lápis.

Escritor

José António Franco

A FOLHA QUE NÃO CAIU


Todos os dias vou à floresta, mas não é todos os dias que se encontra uma folha com patas de lobo. Quando a vi, pareceu-me uma folha igual a todas as folhas que, no outono, caem das árvores e se acumulam na terra. Quando chove, essas folhas transformam-se num tapete castanho que se confunde com a terra e nos permite andar em cima dele como se estivéssemos em casa. Então, lembro-me que a floresta já foi, noutras épocas antigas, a casa do homem. Hoje, porém, é um mundo que nos é estranho. E quando nos contam histórias como a do Capuchinho Vermelho, que encontrou um lobo no meio das árvores quando ia para casa da avó e se demorou a conversar com ele, ou como a história do Polegarzinho que foi abandonado noutra floresta, com os irmãos, e só por ter sido muito esperto se salvou, a ele e aos irmãos, das mãos da bruxa que os queria devorar, ficamos a saber que a floresta não é um sítio simpático para nos perdermos.

Mas quando encontrei esta folha com patas de lobo não foram estas histórias que me vieram à cabeça, mas sim a necessidade de saber por que razão uma folha precisa de se transformar em lobo e vir ter comigo. A primeira questão, no entanto, foi a de saber em que língua poderia falar com uma folha. Não sabemos já a língua da natureza. Quando está vento, e o ar passa por entre as folhas da árvore, ouvimo-las dizer coisas que não entendemos, a que um poeta chamou há muito tempo a linguagem dos símbolos. Mas esta folha com patas de lobo não me parecia ser um símbolo. Podia perguntar-lhe isso mesmo:

- Acaso tu, folha com patas de lobo, és um símbolo?

E ficaria muito admirado ao ouvi-la responder:

- E o que é um símbolo?

O que isto significa é tão simples como isto: afinal, esta folha com patas de lobo fala a mesma língua que eu. E poderia continuar a conversa:

- És uma das folhas que caiu com o outono? Por que não ficaste no chão, como todas as outras folhas que caem com o outono?

E a folha com patas de lobo respondeu:

- Se tivesse ficado no chão, a chuva misturar-me-ia a todas as outras folhas e acabaria por apodrecer com elas, até me transformar nesse húmus que alimenta a terra para que outras árvores nasçam, e nos seus ramos nasçam outras folhas que hão-de cair, no outono, para que tudo se repita.

Percebi que esta folha tinha patas de lobo porque não queria ser igual a todas as outras folhas que caem com o outono. Afinal, esta folha era um símbolo. Ao não querer ser como as outras, queria mostrar a sua diferença. O meu problema, agora, era outro. Ao falar com esta folha com patas de lobo eu estava a pisar todas as folhas que tinham caído, com o outono, e me faziam andar na floresta como se estivesse a pisar um tapete. E se todas essas folhas fossem como aquela folhas com patas de lobo, e também quisessem ser diferentes umas das outras? Imaginei que havia folhas a saírem debaixo dos meus pés, umas com patas de elefante, outras com patas de tigre, outras com patas de todas as raças de cães e de gatos, e ainda folhas como peixes a correrem para dentro da água de todos os ribeiros que passam nas florestas. No fim de tudo, eu estaria rodeado por todas essas folhas com as patas de todos os animais possíveis, para além das folhas que ganhariam asas e iriam levantar voo como os pássaros que também enchem o céu sobre as florestas.

E acabei a pedir à folha com patas de lobo que deixasse de ser um símbolo e voltasse a ser uma folha, como as outras, e caísse no chão, como todas as folhas do outono. A folha com patas de lobo olhou para mim, fingiu que não tinha ouvido nada do que lhe disse, e correu para dentro da floresta, com as suas patas de lobo, deixando-me sozinho a pisar todas as folhas que atapetavam o meu caminho na floresta onde não voltei a encontrar nenhuma outra folha com patas de lobo, mas onde todas as folhas caídas se mexiam como se fossem símbolos da folha que tinha fugido de mim com as suas patas de lobo.


Poeta

Nuno Júdice

Um Carnaval pouco habitual…



Tudo se passou numa estranha Terça-feira de Carnaval.

As ruas estavam totalmente decoradas com enfeites alusivos a esta festa.

Havia, por todo o lado, fitas, serpentinas coloridas, balões e as mais diversas fantasias de Carnaval, tudo isto envolvido com música muito alegre e ritmada dava, sem dúvida, uma magnífica festa.

Todos se divertiam bastante, dançavam, bebiam e pregavam partidas próprias desta data… No entanto, de repente, algo de muito estranho se passou, os enfeites de Carnaval começaram a ganhar vida.

As pessoas entraram em pânico pois começaram a ser estranhamente atacadas, as fitas enrolavam-nas e prendiam-nas, os balões engoliam as cabeças, as serpentinas colavam-se aos corpos, fazendo com que ficassem com sarampo e a música cada vez mais alta fazia com que os ouvidos das pessoas rebentassem. Uma verdadeira loucura!

Quem consegui escapar deste massacre dos enfeites contra os humanos foram oito habitantes que fugiram num carro alegórico de Carnaval.

Não havia muito por onde se pudessem esconder pois a cidade estava toda enfeitada, mas os nossos oito sobreviventes decidiram resistir e lutar contra os enfeites.

Com o carro a grande velocidade conseguiram chegar junto das colunas que passavam aquele barulho ensurdecedor e desligaram-nas. Rapidamente, chegaram à conclusão que essa era a fonte de todo o mal.

De repente, tudo ficou calmo e voltou ao normal, o pesadelo tinha acabado e todos foram para casa descansar da enorme desgraça que tinha acontecido na cidade.

Jamais esquecerão esta estranha Terça-feira de Carnaval.

Claúdia Franco

sexta-feira, 4 de março de 2011

A história do flamingo e do gatotas



Um dia, quando um Flamingo estava tranquilo a comer peixes no rio, caiu nele. A sua sorte é que o gato, chamado Gatotas, salvou-o. Para isso, foi buscar uma corda e atou-a ao Flamingo, puxando-o para cima. Já em terra, a ave estava cheia de frio e não tinha onde ficar, pois não tinha residência. Perturbado, o Flamingo perguntou:

-Sabes de um sítio onde posso ficar? Não tenho para onde ir e estou cheio de frio e arrepiado.

Prontamente, o gato respondeu:

- Claro que sim. A minha casa é perto daqui e podes lá ficar o tempo que quiseres.

O Flamingo Chafira aceitou e perguntou quando poderia ir. O Gatotas respondeu que aquele era o momento certo. Porém, deviam aproveitar o momento para dar um passeio e recuperar do susto.

Quando chegaram a casa, viram que alguém a tinha assaltado e que tinham roubado 500 euros. O gato ficou muito aflito porque já não poderia comprar nada.

Então, o Gatotas decidiu fazer queixa à polícia. Entretanto, os dois amigos combinaram estar atentos à possível entrada de intrusos. Afinal, o criminoso volta sempre ao local do crime, não é verdade? Mais tarde, Chafira descobriu pegadas pequeninas de ratos. O gato ficou à espreita e, um dia, fez uma armadilha na qual os ratos ficaram presos. Eram eles os ladrões. Devolveram o dinheiro ao Gatotas e este resolveu deixá-los fugir.

Os ratos aprenderam a lição, o Gatotas passou a ter mais cuidado com os buracos da sua casa e o trabalho da polícia foi poupado. Afinal, nós somos os melhores guardiães da nossa casa.


Marisa Mina

quarta-feira, 2 de março de 2011

Uma história muito louca…



Era uma vez uma menina chamada Marisa Cebolas.
A Marisa tratava de uma horta e cultivava cebolas com a ajuda da sua gata a quem tinha dado o nome de Branca. No entanto, certo dia, as cebolas saltaram da terra e perseguiram a Marisa Cebolas que fugia delas o mais que podia, mas era muito complicado uma vez que estas cebolas tinham grandes braços e muitas pernas, o que fazia com que corressem a grande velocidade.
Estavam quase a apanhar a Marisa Cebolas, quando esta dá um salto e entra dentro de um autocarro. Este autocarro era muito teimoso e nunca fazia o que lhe pediam, assim levou a Marisa Cebolas de marcha atrás, numa viagem louca e perigosa, até Viana do Castelo.
Assim que pôde, saiu do autocarro julgando estar a salvo das malditas cebolas, mas grande engano o seu, elas tinham conseguido agarrar-se ao pára-choques do autocarro e seguiram, assim, a Marisa Cebolas.
Ela conseguiu arrastá-las para um caldeirão e fez uma sopa de cebola deliciosa que foi dada a comer aos alunos da Escola Pintor José de Brito.
A gata Branca também comeu da mesma sopa, enlouqueceu e arranhou a cara da Marisa Cebolas, fazendo com as suas unhas afiadas o desenho de uma cebola na testa da rapariga.
Logo de seguida, fugiu no autocarro, de marcha atrás e a grande velocidade, estacionando numa ilha paradisíaca do pacífico onde a Marisa Cebolas jamais a encontraria, passando os dias a bronzear o pêlo branco e a rebolar na areia clara e fina.

Manuel Casimiro

terça-feira, 1 de março de 2011

O sonho do Filipe.


Era uma vez um menino chamado Filipe Abel que gostava de ir a França.

Com dezanove anos, começou a trabalhar como electricista numa oficina de carros. Ao longo dos anos, o jovem juntou dinheiro e comprou um automóvel marca Ford e partiu para Paris.

Ao chegar à capital Francesa, o Filipe comprou uma casa e conheceu uma rapariga chamada Celine, no café que frequentava.

Ela era uma jovem treinadora de futebol na equipa Paris Saint German onde o rapaz Portugues se inscreveu.

O Filipe tornou-se um grande jogador de futebol e um amigo de Céline.

Filipe Abel

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Lacinho Dos Gémeos

Na aldeia onde eu vivo, vivem também dois irmãos gémeos, conhecidos pelas suas traquinices e diabruras. Têm muitas semelhanças entre si e é muito difícil distingui-los, existe apenas um pormenor que os diferencia, mas para que o consigamos perceber, temos de os conhecer muito bem e prestar muita atenção a todos os pormenores, ambos usam um laço ao pescoço, no entanto, o laço do Bernardo anda sempre muito direitinho e arranjadinho, enquanto o do Eduardo está todo amarrotado.

Certo dia, os irmãos resolveram pregar uma partida à professora de Matemática, o Bernardo tinha muito jeito para os números e adorava resolver problemas complicados, por sua vez o irmão era “um zero à esquerda” para as contas. Como andavam em turmas separadas, tiveram a brilhante ideia de tirar proveito das semelhanças que tinham. Assim, foi muito fácil, o Bernardo entrou na aula de matemática do irmão, sentou-se no seu lugar e calmamente resolveu o teste por ele. A professora não desconfiou de nada, ficou apenas surpreendida quando no final fez a correcção e viu uma nota bastante alta. Mesmo assim, não desconfiou que quem realizou o teste foi o Leonardo, pensou sim que o Eduardo conseguiu usar cábulas sem ela se aperceber! Ficou furiosa… e eles muito satisfeitos com o resultado da partida!

Como esta, muitas outras aconteceram, recordo-me de outra situação também bastante engraçada. O Eduardo namorava com a Sofia da minha turma e tinham combinado sair depois das aulas, mas ele andava de olho também na Ana e resolveu pedir ao irmão que fosse em seu lugar ao encontro com a Sofia, enquanto ele se divertia com a Ana.

Tudo corria maravilhosamente bem para os irmãos pois sempre conseguiam tirar o melhor proveito das situações graças às suas semelhanças. No entanto, houve um dia, em que tudo mudou… Foram, finalmente, descobertos! Certa tarde, o Bernardo estava com a namorada do irmão e esta percebeu que algo de estranho se passava, olhou bem para ele e viu que o laço que trazia ao pescoço estava muito arranjadinho ao contrário do habitual. Aquele não era o seu namorado, mas o irmão dele! Ficou furiosa e deu-lhe um valente estalo!

Espalhou por toda a escola o que tinha descoberto e os dois irmãos foram desmascarados e nunca mais voltaram a pregar este género de partidas!

Claúdia Franco

Um Sonho Realizado…



A Leonor era uma menina que tinha o sonho de ser pintora.

Certo dia, pegou numa folha branca, pincéis e uma paleta e começou a desenhar… desenhou, desenhou… e o resultado final foi terrível aos seus olhos, mas na realidade surpreendente como verão mais adiante.

Quando os pais chegaram a casa, ela, muito desanimadamente, mostrou-lhes o que fizera durante a tarde.

- Nunca serei pintora! – disse com uma lágrima espreitando no canto do olho.

Os pais ficaram maravilhados com o fabuloso trabalho da filha e tentaram fazer com que ela visse o que eles viam.

Assim, mãe da Leonor emoldurou e levou o desenho ao museu da cidade para que o avaliassem e o pudessem expor, caso fosse realmente bom. Esteve imenso tempo a falar com a pessoa responsável pelo museu, explicou-lhe que a filha tinha apenas 10 anos e que sempre sonhara ser pintora.

Após algum tempo, decidiram que o desenho poderia ficar no museu por se tratar de uma obra de arte muito valiosa, principalmente por ser um trabalho de uma menina ainda tão jovem.

A Leonor não sabia de nada pois era uma surpresa que os pais lhe tinham preparado.

No dia seguinte, perguntaram-lhe se queria ir visitar o museu durante a tarde. Ela respondeu que sim.

Quando lá chegou, ficou maravilhada com o que viu!

E para grande surpresa repara que o desenho que fizera há uns tempos estava exposto também no museu!

Inicialmente ficou sem reacção e depois deu pulos de alegria com a surpresa que os pais lhe tinham preparado!

Todos poderiam contemplar o seu trabalho…

… uma colorida borboleta voava em redor de uma bela flor, debaixo de um sol brilhante e abrasador que lhe esquentava as asas, tudo isto num magnifico jardim .

Era assim o quadro da Leonor!

Claúdia Franco

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A história do Ouriço Cacheiro






Era uma vez um ouriço chamado «O senhor da terra», que vivia num bosque.
O ouriço era bonito, gordo e pequeno, com olhos castanhos e só estava bem guardado na sua toca grande. Ele só vinha para fora quando estava sol.
Este animal despertava a curiosidade das pessoas que gostavam de ir sempre à sua toca para ver como era feito o seu habitat. Comentava-se que este ouriço era diferente dos outros. Os seus espinhos eram muito aguçados e de uma cor fora do comum: cinzento! O seu ninho era feito de folhas e de restos de plantas. Durante o Inverno, hibernava e só na Primavera é que saía do ninho e vinha aproveitar os raios de sol.
Um dia, quando estava a despertar de uma noite bem dormida, surpreendeu-se com a sua amiga raposa. Já há muito tempo que não a via… um Inverno completo! A Pacífica (raposa) veio cumprimentar o ouriço e avisá-lo para que tivesse cuidado com os seus inimigos, pois a Primavera tinha despertado a fome. Entre os seus inimigos estavam as outras raposas, texugos, águias, mochos e corujas. O ouriço agradeceu à sua amiga e prometeu ter cuidado.
No entanto, quando estava na sua toca, assustou-se com uns barulhos estranhos. No momento em que foi ver, eram os seus inimigos. Aflito, começou a pedir ajuda e veio a sua amiga acudir, com outros animais. Houve luta entre a Pacífica, as suas primas raposas e dois texugos. Apesar de ferida, a amiga do ouriço conseguiu salvá-lo ele acabou por fazer um jantar para comemorar. O Senhor da Terra é muito bom cozinheiro e pôs na sua mesa insectos, (gafanhotos, escaravelhos, moscas), minhocas, caracóis, ovos de aves, pequenas rãs e répteis, cereais e frutos silvestres. A sua amiga adorou o manjar.
 Depois do jantar, a raposa já estava com sono e foi dormir para a sua toca. O dia tinha sido cansativo para ambos e o ouriço também se deitou.

Sónia Dantas

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O ELEFANTE ELIAS E O ACOMPANHANTE LEÔNCIO





Os relógios assinalam as dez da noite, toda a gente, melhor ou pior, já tinha jantado. Loiça lavada, cozinha arrumada, animais satisfeitos e guardados, galinhas fechadas e uma enorme ansiedade para ver a festa maior de todas as festas no largo de São Francisco, o padroeiro da terra.
Senhoras e senhores, ores, ores, ores, pela primeira vez nesta localidade, dade, dade, dade o Circo Internacional ParátáKi Paratátu, tatu, tatu, tatu, tem a honra de apresentar, tare, tare, tare, o seu formidável show, ou, ou, ou, ou… O apresentador, de um metro e pico, veste um fato azul-marinho, camisa branca com colarinhos quadrados e botões dourados nos punhos, tem calçados sapatos pontiagudos e pretos de verniz muito brilhante, gravata larga e branca com triângulos de contornos pretos e coloridos no interior. Tem uma voz forte e, coisa nunca vista, ele próprio fabrica o eco das coisas que diz.
Estamos numa aldeia do Minho, povoamento disperso, telhados cor de laranja. O sítio do espectáculo concentra-se no espaço onde decorre a feira semanal à Quinta-feira.
Famílias inteiras, velhos e novos, gordos e magros, gigantes e anões, canalha, canalha e mais canalha, ui tanta canalha!... acotovelados e vermelhos de alegria a devorar pipocas e laranjada cheia de gás e bolinhas constituem o público ou os senhores ouvintes, segundo o apresentador.
Entraram os equilibristas a trabalhar com cadeiras e arames, voavam lá bem em cima, levando o público a olhar para o céu do circo.
Depois vieram os palhaços Bolo e o seu acompanhante Pastel. Este vestido de cinzento, o Bolo com plumas azul claro atrás das orelhas, no nariz uma bola redonda e vermelha. Trazia luvas azuis e uma casaca amarela com bolinhas azuis e com um babete vermelho e amarelo às ondas. As calças eram muito largas e curtas, com riscas verticais vermelhas e amarelas, enquanto os sapatos pretos teriam um bom metro de comprimento. Brincaram com coelhos e guarda-chuvas, atiraram ovos um ao outro, toda a gente se riu.
Apareceu o elefante Elias e o seu acompanhante Leôncio. Mestre Elias pôs as quatro pernas em cima de um banco redondo e pequeno e depois andou à volta do mesmo banco. Desceu, sentou-se no banco e depois deitou-se, fazendo-se de morto. Levantou-se e, por fim, fez uma vénia para os presentes. Toda a gente adorou!
O espectáculo continuou.


Andreia Ribeiro

O Troca-Tintas






Era uma vez um pássaro que se chamava Troca-Tintas e morava no quintal da casa do professor Luís velho. Tinham dado este nome ao pássaro porque ele estava sempre a mudar de opinião, ora gostava de amarelo ora preferia o verde, ora queria namorar com a Joana ora morria de amores pela Carla, ora queria comer sementes ora desejava pôr o bico num delicioso bacalhau com natas …por estas e por outras o chamavam de Troca-Tintas.
Certo dia, combinou com os amigos fazer uma viagem até ao norte do país, mas como estava sempre a mudar de opinião, ao sair de casa, resolveu voar para sul.
  Voou, voou … até que, cansado, resolveu parar para descansar as asas num telhado de uma casa. Reparou que não conhecia o local e percebeu que já não sabia voltar para casa.
Adormeceu e quando acordou sentiu-se muito incomodado com o cheiro a lixo à sua volta, percebeu que tudo o que o rodeava estava poluído, até mesmo as nuvens estavam cheias de água mal cheirosa … e, azar dos azares, não é que começou a chover mesmo em cima do Troca-Tintas!
Ia ter de passar horas na banheira a esfregar as penas para se livrar daquele cheiro.
Encontrou, por acaso, no meio de todo aquele lixo um foguetão. Desta vez, o Troca-Tintas estava com sorte, o foguetão tinha um sistema de GPS que o levou direitinho a casa.
Já em casa, e depois do banho tomado, o Troca-Tintas pensou: - Não volto a dizer uma coisa e a fazer outra!  Esta serviu-me de emenda!!!
Será que cumpriu a promessa??? Não sei… ele é o Troca-Tintas!

Manuel Casimiro

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A história do Trinca-Espinhas


Andreia Ribeiro

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Pássaro de Outono




O pássaro de Outono é feito de folhas de árvores em vários tons de castanho.

Um dia, numa bela tarde, onde já se sentia os dias a ficarem mais pequenos, o pássaro estava empoleirado num ramo de uma árvore chamada Emília.

Ao ver Viana do Castelo ao longe, a árvore Emília gostava de poder visitar a cidade, mas estava presa pelas suas raízes na terra. No entanto, o pássaro de Outono como era livre de voar, podia visitar a cidade quando queria. Aproveitou para contar como era bonita a cidade e cheia de pessoas… Os baloiços do parque infantil junto ao rio e na marina, onde ele ia baloiçar com os amigos pássaros.

- Eu também gostava de visitar a cidade grande e brincar! - disse a Emília.

- Olha - disse o pássaro de Outono - O nosso amigo vento é que te podia levar. Uma rajada de vento muito forte levava- te pelo ar até aos baloiços!

Gritaram os dois pelo amigo vento, mas este estava muito longe num furacão no mar alto, no Equador. Os interessados falaram às amigas nuvens, Sofia e Andreia, para irem ter com o vento e dizer que precisavam de ajuda para a árvore Emília conseguir visitar Viana com o pássaro Outono para brincar nos baloiços. As nuvens partiram ao encontro do vento para lhe dar a notícia. O vento demorou três dias a chegar.

O Vento chegou muito forte e levou os dois amigos para os baloiços. Divertiram se muito e comeram um gelado e pipocas.

Afinal, viajar e conhecer a localidade pode ser muito bom. Emília gostou tanto do parque da cidade que decidiu fixar raízes por lá.

Marisa Mina

O Monstro da Escola



Era uma vez um monstro que vivia na escola primária da minha aldeia.

As crianças quando entravam na escola pela primeira vez tinham muito medo e fugiam assustadas sempre que o viam por perto, no entanto quando terminavam o quarto ano e tinham de deixar a escola, choravam por terem de partir sem ele.

Sim, é verdade, tratava-se de um monstro muito feio, com a boca enorme de onde saíam dois grandes dentes afiados, mas à parte destas características físicas terríveis, o monstro da escola tinha bom coração, gostava das crianças, brincava com elas e lia-lhes histórias de encantar durante o recreio.

Este monstro continuou a viver na escola durante anos e anos, fazendo grandes amizades com as crianças que por lá iam passando, todos o adoravam e queriam conhecê-lo.

Sim, era um monstro, mas de bom coração!


Claúdia Franco

O Polvo



No Oceano Atlântico, há um polvo chamado Tintureiro, diferente de todos os outros. Os seus tentáculos são coloridos, uns curtos e outros longos, a cabeça arredondada com bonitas cores, que variam entre o rosa e o lilás.

O Tintureiro é muito comilão, pois gosta muito de comer peixes, camarões, mexilhões, amêijoas e todo as espécies de peixes pequenos.

Recentemente, houve um cardume que chegou de outro mar e decidiu fixar residência perto do tintureiro. Junto também chegaram polvos jovens que se tornaram seus amigos. Todos os dias, vão pescar e almoçar juntos.

De repente, um polvo começou a vomitar, a ficar com uma cor diferente e levaram-no para o hospital dos polvos, que ficava debaixo de uma rocha envolvida por algas de muitas cores. O caranguejo, que era o veterinário, disse que foi o princípio de um envenenamento, causado por um peixe que comeu estragado. Tiveram que dar uma medicação para o polvo começar a deitar fora o veneno que ingeriu do peixe, mas tinha de ficar em observações até ao outro dia, para ver como passava a noite.

Toda a comunidade oceânica ficou a saber o que tinha acontecido. Foi necessário tomar medidas e encontrar o causador de toda aquela poluição. Então, o senhor comissário da polícia, o Lagostim, levou a cabo um inquérito para encontrar o culpado. Descobriu-se umas manchas enormes de crude e de petróleo. Foi isso que envenenou o polvo.

Julga-se que o responsável tenha sido um petroleiro que passou há uns dias. Como os cardumes não tinham meios para fazer a limpeza, decidiram nadar para mais longe onde havia água fresca.

Entretanto, os pescadores estranharam não verem polvos nem peixes durante algum tempo. Também perceberam os efeitos da poluição e então decidiram estar mais atentos e também eles evitar poluir o mar que é de todos.

Sónia Dantas

O Monstro dos agrafos e o caracol Babão



Um dia, o Monstro dos Agrafos foi passear e encontrou um caracol a pôr os corninhos ao sol. Curioso, perguntou:

- O que estás a fazer caracol?

- Estou a «tomar banhos de sol» para me bronzear e para aquecer a minha casinha.

O Monstro achou graça e gritou Buu! Buu! Buu! Assustado, o caracol encolheu-se para dentro da sua casinha, cheio de medo. Zangado, ficou retido na sua carapaça e não falou mais com o Monstro.

- Desculpa, Caracol! Estava a brincar contigo! – Afirmou o Monstro dos Agrafos.

- Oh Caracol, anda comigo, não tenhas medo de mim.

- Mas tu assustaste-me. Prometes que não voltas a fazer isso?

- Não posso prometer tal coisa, porque sou o Monstro dos Agrafos. Mas quero ser teu amigo para sempre.

- Como poder ser possível se me estás sempre a assustar?

-Oh! Mas eu estou a ser sincero contigo. Gostava de te convidar para passear pelo mundo. Tu levavas-me na tua carapaça. Claro que ficaríamos apertados, mas era uma boa protecção. Além disso, como sou forte e rápido faríamos a viagem mais depressa. Concordas?

- É uma ideia interessante! De facto, sou muito lento e precisava da vida toda para correr o mundo. Aceito a tua proposta. Quando partimos? – Pergunta o Babão.

-Já tenho as malas prontas. Vamos?

Ao meio-dia, partiram os dois à descoberta de bonitas paisagens e de novos amigos pelo mundo.

Quem disse que os opostos não se atraem? O Monstro dos Agrafos, enorme e disforme, com o Caracol Babão, lento e pegajoso, formaram uma dupla de amigos invencível!


Marisa Mina

O Tremoço




Em casa do Zeca morava uma família grande, composta pela mulher, pelo irmão, pelos filhos e pelos pais. Um total de oito pessoas. Já para não falar dos animais que viviam na quinta: vários porcos, cavalos, galinhas e coelhos, patos nos charcos e um belo burro.

De todos os animais, o Zeca gostava mais do burro e até lhe deu o nome «Tremoço»! Já estava na quinta há dez anos, mas o seu pêlo continuava brilhante como no primeiro dia. Ajudava o dono a lavrar a terra, andava com o João, o Diogo e o Bruno às costas e brincava muito com eles. A esposa do Zeca era responsável pela alimentação do equídeo. Todos os dias lhe dava um fardo de palha muito amarela e fresca e três litros de água limpa.

O burro sempre foi meigo, tranquilo, limpo e simpático.

Um dia, quando menos se esperava, o Tremoço desapareceu… Ai! Que aflição! Toda a família procurou o animal, mas ninguém o encontrou.

- O que terá acontecido? Será que foi roubado? Fugiu? Já não gostava de nós e partiu sem dizer nada? – Perguntou a Rosinha, mulher do Zeca.

- Não pode ser. O Burro gostava muito desta casa e não conhecia nada para além desta quinta. – Afirmou o Diogo.

Entretanto, o Bruno lembrou-se de uma situação que tinha acontecido há duas noites. Como não conseguia dormir, levantou-se e desceu as escadas até à cozinha para beber um copo de leite. Como estava calor, decidiu sair e ir até ao alpendre. Foi aí que reparou que o Tremoço também estava acordado e de orelha levantada pronto a escutar a conversa da coruja.

- Que interessante! Não sabia que o burro conhecia a coruja – pensou o rapaz. Mas, na verdade, até parecia que se conheciam há muito tempo.


David Parente

Tremoço na grande cidade




Ao longe, está uma grande cidade, com muitos prédios, uns mais altos do que outros. Muitas janelas pequenas e muitas pessoas nas ruas. Muitos carros, muito movimento e agitação.

- O que faz um burro no meio da Avenida da Liberdade? – Questionaram vários habitantes.

- Cuidado! Ainda vais ser atropelado! – Gritavam umas senhoras idosas.

Tremoço passeava no meio da avenida, mas estava assustado. Tanto movimento. Nunca imaginara nada assim. Mas não estava sozinho, pois a coruja, empoleirada nas costas do equídeo, fazia-lhe companhia e orientava-o. Ela era uma sábia.

Na verdade, as pessoas que se espantavam não resistiam à beleza e à simpatia do burro e aproximavam-se. As crianças gostavam de tocar no seu pêlo e fazer-lhe mimos. O animal, todo contente, retribuía com alegres zurrinhos.

Entusiasmadas, as crianças pediram ao burro e à coruja para irem à escola para mostrarem a novidade à professora. Como a escola não ficava longe, depressa chegaram e foi um alvoroço. Um burro na cidade! A professora também simpatizou com o burro e com a coruja e pediu aos seus alunos para fazerem uma pesquisa sobre o equídeo. Os alunos descobriram muitas informações sobre este animal, mas uma delas, menos boa: estava em vias de extinção. Era preciso fazer alguma coisa!

Então, decidiram elaborar cartazes e panfletos sobre este problema com o objectivo de sensibilizar a população para a protecção deste animal. Também aproveitaram para estudar as qualidades da coruja.

O dia já ia longo e o burro, para além de estar cansado, também estava com saudades dos seus donos e das brincadeiras com as crianças. Estava na hora de regressar.

David Parente