terça-feira, 31 de maio de 2011

A Galinha Luísa


A galinha Luísa vivia no galinheiro da casa da D. Margarida. Era amarela, tinha a crista e as patas vermelhas. Punha poucos ovos, mas eram uns ovos especiais, pois eram de chocolate.

Nos dias de festa, como sejam: o Natal , a Páscoa, o Dia dos Namorados e os dias de Aniversário davam à galinha Luísa mais trabalho, pois tinha de pôr mais ovos. Depois a D. Margarida embrulhava-os com muito cuidado em papel bonito, punha uns laçarotes coloridos e oferecia-os às pessoas.

Os ovos eram tão saborosos que toda a gente os adorava e achava que a galinha Luísa era a galinha mais fantástica do mundo!

Manuel Casimiro

O AVIÃO QUE SE RI

Verão, Junho de 2009 no calendário romano. O tempo convida a partir e a sonhar. Terra, mar ou ar? A pergunta fica no ar, mas já vai descer à terra.

Entra agora a personagem principal. Chama-se NÃOSÔOÚNIKO, tem nove irmãos e pertence à família BAIPASSEAR. Olhos grandes, tronco comprido, vestido de roupas vistosas: vermelho, laranja e dourado; o cinzento completa o quadro e vinca o contraste. Não se trata de uma pessoa qualquer. Não senhor. Já vão ver porquê. Pergunta, então, amigo leitor. Porquê?

Porque tem umas asas enormes, uma cabine de pilotagem, uma imponente fuselagem, um leme, um trem de aterragem e até mesmo umas coisas estrangeiras como um aileron engraçado, uns flaps amigos (o que é que isso?) e um divertido joystick. Adivinharam. É um avião e parece dar sorte. E ocasiões havia em que se ria de contente.

O Joaquim é calvo, parece o senhor professor Sérgio Carvalho. Fala pouco e tem barriga, por isso coloca sempre a peça de roupa do tronco por fora das calças. Traz uns “largueirões” de uns calções amarelos às riscas vermelhas e verticais, uma t-shirt azul “vévé” com letras brancas na frente a dizer Good Bye. Por fora dos calções.

Por sua vez, a Celestina, é alta e forte e espirra simpatia por todo o lado. O cabelo é o

seu ai Jesus, loiro, muito loiro, comprido e encaracolado, aos cachos, como nas revistas das cabeleireiras. A cara triangular está afogada em maquilhagem. Seja como for, a Tina sente-se muito bem na sua pele, com uma auto-estima do tamanho do morro do pão-de-açucar. E gesticula muito, e fala muito com as mãos e tem uns trejeitos esquisitos nos olhos e na cara.

O espaço vai de Lisboa ao Rio de Janeiro, para residir em Copacabana. Há ainda o ar e o interior do avião, para responder à questão situa a acção no espaço.

O Quim e a Tina tinham tido uns arrufos e andavam magoados um com o outro. A Tina chamava-lhe “as arrufas”, o mesmo nome de uns doces populares em formato de patela daquelas de jogar as malhas ou o bicho. No fundo, bem no fundo da questão (e da razão, até talvez, sabe-se lá), iam tentar recuperar a chama acesa do amor e da paixão, pois claro e pois então. Queriam ser muito, muito amigos e cada um deles já imaginava como iria decorrer a estadia por terras de Santa Cruz.

As expectativas e as projecções cumprir-se-iam. Beijinhos e mais beijinhos e sucedâneos: as “jokinhas”, os “jinhos, os “abreijos” e por aí fora… Sempre, sempre de mãos dadas, enlaçados e “tanchados” um no outro, sorrisos inocentes nos lábios, misturados com aquela loucura pueril, emotiva e sentimental.

O NÃOSÔOÚNIKO aterrou no aeroporto da Portela, em Lisboa. Dentro dele sairia aquele casal renovado e feliz. Parece que a medicação foi mesmo a estadia de 15 pequenos dias no hotel TASSEBEM, uma das aliciantes propostas da BRACANCES, a sua agência de viagens com promoções exclusivas. A Tina, sempre com uma vontade de encontrar uma explicação para o que quer que seja, teimava em que o avião é que deu sorte. E, apontando para o NÃOSÔOÚNIKO, gritou feliz ao Quim: - Olha, Kikas, o avião está-se a rir!...

Andreia Ribeiro

domingo, 15 de maio de 2011

A MENINA DAS APÁRAS-LÁPIS



Era uma vez a menina das aparas. Chamava-se Marisa e vivia no campo. Tinha uma égua chamada Loira.

Um dia, a Loira andava no campo de futebol a comer erva e fugiu para o monte de Outeiro. Ao fim da tarde, a mãe da Marisa mandou-a ao campo da bola para trazer a Loira. Mas não a encontrou.

A menina foi de bicicleta dizer à mãe que não estava lá a égua.

A Marisa, já desesperada, pegou na sua bicicleta e , com a autorização da mãe , andou à procura do animal pela região.

Não estava lá a égua e a Marisa telefonou ao pai a dizer que a Loira não estava lá no campo de futebol. O pai recebeu um telefonema de um amigo que encontrara o equídeo. O animal estava com outros cavalos nos campos em Outeiro. Como ela estava bem e havia boas pastagens deixaram a Loira ficar dois meses.

Ao fim deste tempo, a Marisa foi com o pai e um colega buscar o animal numa carrinha.

Tudo acabou bem, mas a Loira anda nos campos presa.

Filipe Abel Gomes

terça-feira, 10 de maio de 2011

O Monstro dos Agrafos - Manuela Costa Ribeiro

Imagem de Raúl Gomes

Ao Raúl Gomes


Raúl sonhava todas as noites com o mesmo monstro. Tinha pesadelos. Sentia-o entrar pela janela do quarto e estender os braços na sua direcção. Eram uns braços longos e grossos. Pareciam quase os ramos de uma árvore secular. Ramos presos a um tronco imenso que ficava do lado de fora da janela. Os dedos longos e finos, brancos e frios. Pareciam feitos de neve, mas não se desfaziam embora fossem gelados. Ou era Raúl que gelava de medo e acordava em sobressaltos.

Por isso, todas as noites, quando chegava a hora de deitar, Raúl ia tentando prolongar a sua presença na sala. Enchia a mãe e o pai de perguntas. Tinha sempre mais um exercício para resolver. Eram infindáveis os trabalhos de casa. Nunca se dedicara tanto aos estudos. E nunca tinha sono. Olhava em todas as direcções. O seu olhar atento percorria todas as janelas. E finalmente, quando a mãe insistia:

- Raúl, vá lá, dormir! Anda lá, que te conto uma história. Amanhã tens aulas.

Lá vinha o mesmo pedido:

- Mãe, pai, posso dormir no vosso quarto? Por favor?!

Raúl só pensava em esconder-se nos lençóis da cama dos pais e sentir-se seguro entre os dois. Assim, protegido dos dedos de chumbo do mafarrico, que, sabia, viria assombrá-lo, uma vez mais. E insistia:

- Por favooooor!? Prometo que não dou pontapés! Durmo sem me mexer. Prometo!

- Vá lá, Raúl, então? Tu és um rapaz forte. Não tens medo de um monstrinho qualquer, não é? Vais ver que esta noite ele foi brincar com outro menino!, dizia o pai, tentando desvalorizar a situação, mas visivelmente preocupado.

Todas as noites, os pais deitavam-se com esperança de que estes episódios terminassem a qualquer momento. Todas as noites, porém, a mãe corria em socorro de Raúl, que acordava aos gritos, com os olhos sufocados de lágrimas.

Raúl sonhava repetidamente o mesmo sonho ruim, com o mesmo monstro dos agrafos. Parecia quase um fantasma, terrivelmente grande e desajeitado, vestido de branco, de um branco mais branco que o branco do sabão com que a mãe o lava antes de ir dormir. De um branco mais branco do que a branca espuma que lhe sobra dos lábios quando escova os dentes. Por cima do fato cor de algodão, uma capa do mesmo tom, debruada de agrafos de cinza. Não conseguiu nunca vê-lo por inteiro. Mas pelo tamanho dos dedos, das mãos, dos braços, só podia ser um mostrengo. O monstro dos agrafos. Era assim que lhe chamava. Só lhe vira os olhos uma única vez. De um vermelho-fogo. A espreitar por entre a brancura das vestes.

Sempre que Raúl acordava em altos berros, o gigante desaparecia, por trás de uma nuvem de fumo quase transparente e ninguém dava por nada. Aquele horrendo espantaraúl nunca foi visto por mais ninguém.

Os pais, cada vez mais atentos e preocupados, mesmo querendo acreditar que se tratava de uma fase passageira, começavam a desesperar em busca de explicações e chegaram mesmo a marcar consulta no psicólogo.

Por trás do musgo das árvores mais antigas do Monte, à medida que o tempo ia passando, Agrafítico, no seu esconderijo triste de plantas verdes de grande porte, sentia-se cada vez mais só. A família não havia maneira de conseguir explicar-lhe que há muito não havia qualquer contacto entre humanos e agrafos.

Há séculos que tinham deixado de conviver. Desde aquele dia em que um incêndio destruiu a floresta e obrigou os titãs a deixarem a sua toca escondida por entre a vegetação das montanhas. Há muitos e muitos anos. Tantos que já nenhum homem se lembrava. Tantos que, na comunidade dos Agrafos, nem o Avô Agrafútico, nem a avó Agrafética tinham qualquer memória. Tantos que só o mais velho, Agrafeolítico, se recordava. Por sorte e por mágica, não morreram todos naquele rasto de fogo e de humilhação.

Aí ficaram em suspenso os longos tempos de sã convivência e amizade.

Agrafítico é que não se deixava convencer. E mais: acreditava que só uma aproximação aos humanos seria a solução para que os Agrafos não se extinguissem. Não desaparecessem de vez da face da terra.

Agora que ele e o que restava do seu clã tinham conseguido regressar ao mesmo bosque de antes e tinham recuperado a sua gigantesca caverna, no Monte de Sta. Luzia, tinha de ter confiança. Estava farto ser de filho único e a única criança da aldeia. Zangava-se.

- Mamagráfica, assim nunca vou ter amigos com quem brincar! Só eles é que me restam! Ai! Brrrrrrr…

- Mas, Agrafítico, não vês que…

- É com os mais pequenos da aldeia, sim! Choramingava sem esconder uma grande raiva, tão grande como o seu grande corpo de adamastor.

Com passos apressados de birra, Agrafítico saiu em busca das magias e feitiços do mais velho, Agrafeolítico, que tudo sabe.

Ao chegar à clareira mais luminosa da floresta, onde ao meio-dia em ponto, todos os dias, a luz do sol se desfaz em salpicos de ideias livres, lá estava o mestre sentado em frente a uma grande fogueira sem labaredas e sem fumo. Com os olhos postos no seu caldeirão de poções vazias, mexia e remexia com uma colher de pau de cabo comprido, lenta, muito lenta, e sábia, muito sábia.

E sem que Agrafítico tivesse tido sequer tempo de soltar um ai, já o mais velho, Agrafiolítico, olhos-nos-olhos do gigante petiz, muito pausadamente, como quem soletra palavras sonâmbulas, aconselhou:

- A fé nun-ca per-cas! Ve-jo tu-do no qua-dro bran-co em luz des-fei-ta no es-pe-lho do ou-tro la-do da lu-a.

Depois parou. Concentrado. Levantou a cabeça e projectou os olhos na direcção do Lima. Percorreu, com a sua visão perspicaz e atenta, as águas perdidas no labirinto do estuário. E ali, no rio, fixou o brilho intenso do seu olhar de sabedoria. No exacto lugar onde seivas que escorriam de fontes e nascentes, recolhidas pelo leito doce do rio, alimentavam milhares de vidas minúsculas. No exacto lugar onde o sal das ondas salgadas fertilizava as terras. Ali, observou, com toda a atenção, o céu reflectido na transparência da foz. Como se, ali, estivesse todo o conhecimento. Como se, dali, viesse a resposta para todos os mistérios. E profetizou:

- No-vos a-gra-fos es-tão pa-ra vir! E a-mi-gos. Mui-tos a-mi-gos. A-le-gri-a. Fe-li-ci-da-de. É i-sso que re-ve-la o li-vro sa-gra-do dos a-gra-fos an-ti-gos!

Ah-ah-ah-ah-ah-ah!

Levantou a voz e içou os grandes mastros dos braços, deixando-os cair, de repente.

Crac-crac-crac. Craaaaaaaac. A montanha estremeceu.

Depois sentou-se, cansado. O mais velho, Agrafeolítico, era mesmo muito velho. As barbas brancas arrastavam pelo chão, tão compridas quanto o seu cabelo branco, mais branco do que o branco do gelo preso nos picos mais altos.

Agrafítico, mais certo do que a certeza de estar a fazer a coisa certa, perseguia a sua agrafítica aventura. Muito depois de o sol se pôr e com a cumplicidade da lua cheia que o escondia por entre os seus traços riscados de luz, visitava Raúl. Ficava horas a vê-lo dormir. A observá-lo. A estudar os seus gestos, as suas expressões. Sorria com os sonhos felizes de Raúl e, mesmo sem querer, era o seu pior pesadelo. Embora o que quisesse fosse, afinal, brincar com Raúl e com os seus companheiros, como uma criança da sua idade, apesar do seu grande tamanho. Mal tentava, contudo, entrar pela janela por onde só conseguia espreitar, mal ousava fazer um mimo a Raúl, já este gritava a bons pulmões: mãaaaaaaeeeeeee! e já a mãe corria em seu auxílio.

Agrafítico desaparecia, mais rápido do que uma bola de sabão desfiada no ar. E repetia em eco, de si para consigo, como quem precisa de repetir para acreditar, as palavras que tinha escutado de Agrafeolítico:

- A fé nun-ca per-cas! A fé nun-ca percas! A fé nun-ca per-cas!

Na manhã seguinte, de sol ou de chuva, à hora do recreio, era vê-lo, disfarçado nas nuvens, em delírio com as brincadeiras dos meninos. Imaginava-se a correr, a brincar às escondidas. Até a esconder-se atrás das árvores, no meio dos arbustos e nos campos de flores que rodeavam a escola. E, com a cabeça e com o corpo todo quase a cairem da nuvem onde estava abrigado, acompanhava os passos de Raúl e dos seus amigos a caminho do campo de futebol.

- Será que um dia poderei jogar à bola com eles? Ai como eu gostava! Suspirava Agrafítico nos seus pensamentos mais profundos e irrequietos.

De cada vez que Agrafítico inspirava o ar para deixar sair um suspiro, um repelão de vento empurrava a bola para o campo adversário e Raúl marcava golo. Braços no ar, gritava: Goooolooooooo! Feliz Raúl. Agrafítico sorridente apesar de triste e ansioso, sem nunca desistir de conquistar o coração de Raúl.

Em mais uma das noites longas, daquelas em que não tinha vontade de dormir e ia prolongando os trabalhos de casa pela noite dentro, Raúl ligou o “Magalhães”. Tinha deixado para tarde a pesquisa que o professor pedira para fazer, na internet, sobre o Monte de Santa. Luzia. Uma investigação para o novo projecto. Clicou no Google e escreveu “Monte de Santa Luzia”.

De repente, por entre as pesquisas distraídas, já mais atentas às janelas, leu um título que lhe despertou os sentidos: “monstro dos agrafos”.

O seu corpo tremeu da cabeça aos pés. Ficou arreliado de medo! Mudo! Não podia ser! Olhos arregalados, pregados no ecrã. Sem conseguir reagir. Respirou fundo. Esticou as mãos. Encostou as costas à parte de trás da cadeira. Estático. Apenas conseguiu articular:

- Mãe! Mãaaeeee! O monstro!

Foi mais forte a curiosidade e antes mesmo que a mãe respondesse, os seus dedos, mais rápidos que o seu raciocínio, deram início a uma dança frenética no teclado à procura de mais informações. Clica daqui, clica dali, clica dacolá! Abre uma janela e outra e ainda outra! E eis que lhe aparece a imagem do “Monstro dos Agrafos”. Tal e qual aquela que via nos seus pesadelos sobressaltados. Não podia ser! Boquiaberto, voltava a chamar:

- Mãe! Mãaaeeee! O moooooonstro!

- Filho! Filho! Raúl, tem calma! A mãe está aqui, então? Tentou acalmá-lo a mãe, já com os seus braços em volta do miúdo.

- É ele, mãe. É ele. É verdadeiro. Os monstros dos agrafos existem, mãe. Olha, diz aqui! No Monte de Santa Luzia!

No visor do computador, aparecia a imagem de um monstro branco, todo branco, com uns pêlos maiores, de cor cinzenta, a sobressair da brancura que lhe cobria a pele. Devia medir uns 3 metros de altura, os braços grossos e longos a tocarem o chão. O nariz largo e achatado tapava a boca, que nem parecia nada grande. Os olhos, vermelhos, muitos vivos. E embargados de ternura. Sim. Transmitia afabilidade aquele olhar encarnado. Até tinha um ar simpático aquele monstro dos agrafos. Raúl teve vontade de lhe tocar. De sentir como era. De falar com ele. De lhe perguntar porque lhe povoava os sonhos. Raúl estava surpreendido mas feliz. Afinal o pesadelo não mais seria um pesadelo. A partir daquela noite poderia dormir sem medo. E, no dia seguinte, contaria tudo aos colegas. Mal podia esperar. Descansado de tanta canseira, adormeceu de cansaço.

Já o sono ia profundo e eis que o misterioso espantaraúl que antes lhe sufocava a tranquilidade das noites, chegava agora para a embalar. Desta vez, Raúl deixou-se tocar pelos dedos delgados e frescos como o orvalho da manhã, e sorriu. Virou-se para o outro lado segurando na sua minúscula mão o único dedo de Agrafítico que conseguia agarrar: o mindinho. O pequeno gigante não cabia em si de alegria. Conseguiu espreitar pela janela, aberta de par em par, com os seus olhos de papoilas enormes em dia de primavera, e viu o sorriso estampado no rosto de Raúl, a dormir, sereno e profundo e sem sustos, sem choros, sem gritos. Ali se deixou ficar, vigilante, com os seus brancos dedos, mais brancos que o branco do algodão doce das Festas da Sra. da Agonia, enlaçados nos minúsculos e frágeis dedos de Raúl. E ali, do lado de fora da janela do quarto, acabou por adormecer.

Quando Agrafítico acordou, por fim, já o sol ia alto no céu sem nuvens e completamente a descoberto. Raúl, a mãe, o pai, e até os vizinhos, pasmados, observavam-no com uma daquelas curiosidades de quem vê coisas muito estranhas, coisas de espantar.

Já todos sabiam da antiga convivência tu-cá tu-lá entre humanos e agrafos, em tempos que já lá vão. Todos estavam admirados porque há muito que os monstros tinham sido dados como extintos. Há muito que ninguém falava deles. E todos se mostravam agora animados por saberem que estavam de volta.

Agrafítico e Raúl tornaram-se grandes amigos, os melhores amigos. Agrafítico brinca com as crianças da aldeia e faz parte da equipa de futebol da escola. É guarda-redes e nunca mais a equipa sofreu nenhum golo. A escola Pintor José de Brito está à frente do campeonato inter-escolar. Tem vencido todos os torneios.

Raúl é visita frequente da gruta dos agrafos e já conheceu toda a família. Estava lá no dia em que a mãe Agrafática e o pai Agrafótico anunciaram, diante de todo o grupo, com muita pompa e mais circunstância, que Agrafítico iria ter um irmão.

Na clareira mais luminosa da floresta, onde ao meio-dia em ponto, todos os dias, a luz do sol se desfaz em salpicos de ideias livres, o mais velho, Agrafeolítico, que tudo sabe, guiou o seu olhar de velas soltas pelas águas limpas da enseada. Com os olhos parados no exacto lugar onde o sal das ondas desmaia na espuma de algas e sargaços, com uma voz solene e arrastada, sílaba a sílaba, sentenciou:

- A-gra-fa-úl se-rá o no-me des-ta cri-na-ça! Em ho-me-na-gem à re-no-va-da es-pe-ran-ça que nos trou-xe o no-vo a-mi-go Raúl.

Agrafítico e Raúl ficaram alegres, nas nuvens. É lá que se encontram todos os finais de tarde, quando o sol está quase, quase a partir e a lua quase, quase a dizer boa noite. Ali se sentam, felizes e divertidos, com o olhar pousado na linha do horizonte, onde sol e mar se cruzam.

Despedem-se do astro-rei:

- Adeus Sol, até amanhã! Diz bom dia aos meninos do outro lado da terra.

Saúdam as estrelas do céu reluzente e dão as boas vindas à lua mais nova ou mais cheia, mais crescente ou mais minguante, mas sempre bem-disposta.

- Olá Lua, trazes bons sonhos?

Póvoa de Varzim, Abril de 2011

Manuela Costa Ribeiro

terça-feira, 3 de maio de 2011

Capa do livro "Era uma vez..."

Capa do livro "Era uma vez..."

Capa do livro "Era uma vez..."

Capa do livro "Era uma vez..."

Capa do livro "Era uma vez..."

Capa do livro "Era uma vez..."

Capa do livro "Era uma vez..."

Capa do livro "Era uma vez..."

Exposição do livro "Era uma vez"




terça-feira, 5 de abril de 2011

O MONSTRO DA CHUVA E DO RELÂMPAGO



Era uma vez dois monstros chamados «Chuva» e «Relâmpago», que viviam no jardim. Comiam erva e folhas de árvores.

Um dia, os três meninos ouviram um barulho nos arbustos e foram ver devagar o que se passava. Eram dois monstros que gostavam de assustar as pessoas. Estavam a discutir quem era o mais feio e quem ia provocar a trovoada, naquela noite. Eles, que não estavam à espera de ver pessoas, fugiram para a sua casa, debaixo da terra.

Os meninos contaram aos seus amigos o que tinham visto e ninguém queria acreditar!

No dia seguinte, as crianças estavam reunidas e foram espreitar os monstros nos arbustos. Estes estavam escondidos e, quando os meninos se afastaram, eles decidiram pregar-lhes um susto!

Filipe Abel Gomes

UMA VIAGEM AO NECAS


Num dia de Verão, quando o sol brilhava muito e o ar estava abafado, o Valdemar e o Sr. António decidiram ir à tasca do Necas.

Ouvia-se dizer que havia uns bons petiscos, como bolos de bacalhau e fêveras, já para não falar das famosas moelas! Tudo isto acompanhado de um pão fresco.

Como já não se viam há muito tempo, ficaram calmamente a comer e a conversar num ambiente acolhedor. O Sr. António, que era mais velho, gostava de saber novidades do Valdemar. Perguntou pelos pais, pelos estudos, pelos amigos… a vida em geral. Ao fim de duas horas, o jovem regressou à escola e o Sr. ao trabalho.

O almoço tinha sido saboroso e a companhia agradável. A cerveja estava fresca e a tasca acolhedora. A despesa foi paga pelo Sr. António, que fez questão!

O Valdemar gostaria de repetir este momento e então combinara outro almoço no mesmo local para o mês seguinte.

Afinal, mais importante do que os bons petiscos do Necas foi o momento passado na companhia de um amigo mais velho que transmite sabedoria e experiência.

David Parente

ESTÁ A DAR MUITO TRABALHO!


Era uma vez um robô contratado pela menina Liana, de dez anos, que era muito preguiçosa.

Esta máquina, em forma de boneco gigante, fazia o trabalho doméstico que a mãe da Liana destinava para a filha. Enquanto a menina brincava e via televisão ou conversava com as amigas ao telemóvel, o robô varria o chão, limpava o pó, lavava a louça, fazia as camas, aspirava e até levava o cão à rua.

Há seis meses que a Liana tinha este robô, comprado com o dinheiro do seu mealheiro, que resultava das prendas de aniversário das avós e dos tios. Mas ela estava a ficar incomodada com o facto de ele não parar de reclamar «Está a dar muito trabalho! Está a dar muito trabalho!».

Um dia, aconteceu o pior… Estava a máquina ocupada na sua tarefa de passear o cão, quando umas gotas de água começaram a cair do céu. Estava a chuviscar, mas depressa se tornou numa forte chuvada. Não só o canídeo se molhou como o robô ficou encharcado.

Estão a imaginar o que aconteceu?!

O «Está a dar muito trabalho!» avariou e nunca mais pôde ajudar a Liana. A mãe dela descobriu o que se passou e, a partir daí, a filha foi obrigada a trabalhar e a cumprir todas as tarefas e mais algumas.

Com isto, a menina aprendeu que não vale a pena ser preguiçosa e que devemos fazer um esforço para aprendermos de tudo um pouco, pois todas as experiências são importantes para o nosso crescimento diário.


David Parente


terça-feira, 29 de março de 2011

Uma questão de cor





Esta história passou-se num dia radiante de sol, quente e amarelo, no país dos amarelos, em volta tudo era amarelo, as pessoas, os animais, as casas, a comida, enfim tudo o que existia tinha a mesma cor, o amarelo.

Certa manhã, enquanto as crianças do país amarelo jogavam à bola num parque de relva amarela, surgiu alguém que as deixou muito curiosas e admiradas, um menino azul que se aproximou delas e perguntou se poderia brincar também.

As crianças amarelas responderam que não queriam brincar com ele porque tinha uma cor azul, bem diferente da cor amarela a que estavam habituados.

O menino sentou-se, triste e magoado, sem compreender porque o rejeitavam. Sim, eram de cores diferentes, mas no fundo todos eram crianças que gostavam de brincar, jogar, saltar, correr e conviver.

Uma das crianças amarelas ao ver o menino azul assim tão triste, aproximou-se dele e pediu-lhe que fosse brincar com os outros meninos pois tinham compreendido que ele era uma criança como todas as outras, independentemente do seu tom de pele.

E, assim foi, a partir desse dia, no país dos amarelos deixou de existir a palavra diferença, todos eram iguais, quer fossem crianças azuis, amarelas, vermelhas ou verdes.

Claúdia Franco

Snoopy



Era uma vez um menino chamado David que tinha um Cão chamado Snoopy.

O seu animal de estimação era bonito, tinha manchas no pêlo e uns bonitos olhos azuis. O seu Snoopy era muito pequeno e muito brincalhão, tinha seis meses.

Um dia, o David lembrou-se de ir dar um passeio com o seu canídeo. De repente, começou a chover e a trovejar, o seu animal assustou-se e fugiu. O seu dono andou à procura dele e não o encontrou.

O David já estava atrapalhado e desesperado… Foi para casa à espera que o seu cão aparecesse em sua casa.

No dia seguinte, viu que o Snoopy não apareceu na casota e decidiu pôr alguns anúncios com a foto do seu cão a dizer que quem o encontrasse deveria ligar para o contacto 920017891. Até prometeu uma recompensa!

Depois, foi para casa e o telemóvel começou a tocar. O David atendeu e uma senhora perguntou se estava a falar com o dono que andava à procura de um cão e ele respondeu que sim. A pessoa disse que tinha acabado de o encontrar na estrada. Ele foi buscá-lo e deu 50 euros à senhora para agradecer.

Mais tarde, o jovem pegou e levou o Snooopy à veterinária para pôr o Chip. Assim, se algum dia o cão fugir outra vez, com o número do chip iria à GNR e será mais fácil encontrar o canino.

O Snoopy nunca mais se assustou com os barulhos e tudo correu bem.

Sónia Dantas

sábado, 26 de março de 2011

O Flamingo Pinto da Costa






O Flamingo Pinto da Costa foi ao estádio da Luz ver o jogo Benfica-Porto.

Sobrevoou o estádio pousando no meio campo. O jogo já tinha começado e os jogadores ao verem tal animal, ficaram muitos surpreendidos. O flamingo Pinto da Costa apercebeu-se que o Benfica estava a ganhar por 3:0 e ficou muito chateado.

Decidiu fazer alguma coisa para alterar o resultado do jogo. De imediato, colocou-se entre os jogadores e tentou, com as suas patas, empurrar a bola para a baliza do Benfica, mas não conseguiu fazer nada. O arbitro e o juiz de linha começaram a persegui-lo e ele teve de fugir, se não era apanhado.

Desesperado, o flamingo decidiu voltar para o Porto, a sua terra natal. Dirigiu-se ao estádio do Dragão, enfiou-se no seu ninho e resolveu dormir, pois melhores dias viriam.

Raúl Gomes